A mistura entre musicalidades típicas de certas regiões com sonoridades inseridas dentro da cultura pop já é uma realidade sedimentada na indústria musical. Entre os artistas que ganharam fama ao explorar esse caminho estão nomes tão diversos como Nação Zumbi, Devendra Banhart, Criolo e Beck podem ser. É justamente desse nicho criativo que surgiram a Banda do Mar e o cantor uruguaio Jorge Drexler, que tocam, respectivamente, quinta (26) e sexta (27) no Bar Opinião. Além de certas similaridades temáticas – como composições contemplativas que normalmente refletem sobre a vida a dois -, ambas abordam ritmos de seus países de origem em uma roupagem tipicamente pop.

Jorge Drexler – pop com jeitão subtropical

Bastante ligado à cultura e musicalidade de seu país, Jorge Drexler cria boa parte de sua obra em cima de ritmos típicos da região platina, mas sempre se mantendo atento ao que é produzido no resto do mundo. Em suas canções, o uruguaio guarda uma certa preocupação estética em retratar o frio do extremo sul das Américas, o que não significa que sua música seja desprovida de calor humano. Seu último disco, Bailar em La Cueva, mostra um Drexler mais descontraído que nunca, o que deve refletir na apresentação da Capital.

Em Bailar em La Cueva, Drexler – que já ganhou um Oscar por Al Outro Lado del Rio, canção tema do filme Diários de Motoclicleta, de Walter Salles – expande ainda mais suas fronteiras ao realizar um dueto com Caetano Veloso.  A música tem cara de baião e homenageia outro país sul-americano, seu título é Bolivia. Um novo passo para o cantor, capaz de explorar novos terrenos sem perder sua identidade própria.

 

Banda o Mar – cadência indie à MPB (e vice-versa)

“Descontração” também é a palavra da vez no que diz respeito à Banda do Mar. O conjunto mostra uma face mais relaxada (no bom sentido) em relação às obras anteriores de Mallu Magalhães e Marcelo Camelo. Exploradores ferrenhos da MPB, o casal-eixo da banda faz dessa obsessão parte presente mesmo em seus arranjos mais enviesados ao indie rock.

Não é por acaso, essa mistura de gêneros ganhou o público brasileiro através dos próprios Los Hermanos em discos como Bloco do Eu Sozinho e Ventura, obras que circulavam entre tonalidades indie e pérolas da MPB que os integrantes da banda ouviam na época. Com a Banda do Mar, Camelo dá prosseguimento a essa proposta, mas com uma diferença: o músico – que no passado foi responsável por hinos doloridos como “O Vencedor” e “Cara Estranho” – nunca pareceu estar tão tranquilo e satisfeito.

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