Como observamos na matéria publicada semana passada, a produção musical brasileira – em diversos momentos e de formas bastante distintas – criou formas de unir a linguagem jovem e internacional do pop às raízes musicais de certas regiões do país. Não é por acaso que a cultura brasileira é tão celebrada mundo a fora. Nossa música é riquíssima por esse talento tácito que artistas brasileiros têm em entender o que acontece no mundo pop e produzir uma releitura através de sua própria linguagem, de seus próprios costumes.

Leia também: 7 perguntas com a Cuscobayo

Leia também: 7 bandas brasileiras para se ouvir em 2015

Um bom exemplo dessa fusão entre ritmos é o baiano Russo Passapusso, que, em seu primeiro disco solo, “Paraíso da Miragem” une dub, soul, rap e samba em canções envolventes e produção impecável. Cheio de nuances, o disco conquista já na primeira ouvida, mas convida o ouvinte a rodá-lo novamente em busca de detalhes que possam ter passado desapercebidos. Um disco que remete tanto a Tim Maia quanto a The Roots.

No que diz respeito à música brasileira, o groove é palavra de ordem. Não é por acaso que a soul music foi tão bem associada por ritmos locais. Através de um repertório instrumental altamente dançante, a Bixiga 70 mostra um lado bem abrasileirado de soul e jazz com ecos de afrobeat. Ou seja, muitos metais cadenciados por uma percussão de peso. As apresentações da banda são imperdíveis. Verdadeiras experiências de êxtase e alegria.

Despontando de um lado mais roqueiro da música independente brasileira, a Carne Doce faz jus ao título paradoxal e consegue unir a celeridade do pós-punk ao calor humano da MPB. Em seu auto intitulado primeiro disco, a banda de Goiás celebra tanto Gal Costa quanto Siouxie and the Banshees. Tudo isso com uma cara bem própria e uma carga bem brasileira. Um pós-punk com alta carga bucólica.

Outro gênero roqueiro de origem inglesa que encontra espaço inusitado na nova musicalidade brasileira é o rock progressivo. Com influências que vão de Genesis e King Crimson a Secos e Molhados e Caetano Veloso (não por acaso, um dos integrantes da banda, Tom Veloso, é filho do próprio), a banda Dônica explora diversas perspectivas musicais em canções de fôlego. Através de floreios MPB, a banda consegue driblar possíveis excessos do prog rock e fazer uma música bastante envolvente.

Beba com moderação, não ofereça bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Não compartilhe com menores de 18 anos.