O ano mal começou, mas alguns músicos já despontam como sérios candidatos a postos em listas de discos e músicas do ano. São artistas de vertentes bastante variadas que apontam para um ano de qualidade musical em diversos níveis, seja para fãs de guitarreira, hip hop, ou de um lado mais reflexivo da folk music. Toda essa boa música é recebida avidamente por um público cada vez mais heterogêneo e eclético (no bom sentido). 2015 aponta o auge de um público consumidor jovem que é conectado a diversos gêneros e tendências, sem se ater a uma identidade de grupo específica que venha a ser representada por uma musicalidade específica.

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Representando o hip hop, To Pimp a Butterfly, novo disco de Kendrick Lamar já diz a que veio em sua capa, na qual quase implora por uma polêmica. O título nonsense mostra um certo senso de humor do rapper em relação aos maneirismos do hip hop.  Explorando diversas texturas de maneira sempre bombástica, o rapper explora uma identidade semi-messiânica que dá certo teor “conceitual” ao disco, mas sem que isso jamais se sobreponha à experiência do ouvinte. O terceiro disco de Kendrick Lamar é certamente um dos lançamentos do ano

Ocupando um lugar que alguns podem considerar oposto ao de Kendrick no espectro pop, Sufjan Steven acaba de lançar o marcante Carrie & Lowell. Escrito após a morte da mãe do cantor, o disco tem o mérito de tratar do assunto sem ser mórbido, mas sim delicado e reflexivo. A roupagem folk e os arranjos simples porém contundentes casam perfeitamente com a voz de Sufjan em uma obra que sabe dosar experiência pessoal com empatia. Um disco que troca a tristeza pela contemplação.

Prestes a lançar um novo registro depois de doze anos sem um álbum de inéditas, os ingleses do Blur já vêm lançando alguns vídeos que mostram um pouco do que será esse novo disco. Distante dos arranjos mais cadenciados do disco anterior, Think Tank, as músicas novas mostram um grupo mais próximo do vigor criativo que apresentava nos anos 90. O primeiro single oficial, Lonesome Street faz uma releitura contemporânea de trabalhos anteriores da banda como Parklife e The Great Escape

Entre as novidades brasileiras, a Descartes, de Caxias do Sul, apresenta boas novas aos fãs de hardcore. Dosando momentos cadenciados com explosões de êxtase, o single Folhas já dá uma boa ideia do teor do disco a ser lançado pela banda ainda esta semana. O instrumental é notável, mas a habilidade dos músicos é investida em explosão, nunca se perdendo em desperdícios virtuosos. A Descartes é definitivamente uma das bandas brasileiras a se observar atualmente.



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